Capacitação faz parte do Projeto Mãos emPENHAdas.
Profissionais da unidade Morumbi do salão de beleza Jaques Janine passaram por uma manhã de treinamento para o combate à violência doméstica. Parte do projeto Mãos emPENHAdas - que treina profissionais de salões de beleza para identificar e aconselhar as vítimas de agressão por parte dos parceiros - idealizado pela juíza Jaqueline Machado, do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul, o encontro contou com a participação ativa do juiz da Vara da Região Leste 3 de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher do Fórum Regional de Itaquera, Mário Rubens Filho, que, ao lado da promotora de justiça Gabriela Manssur, importou o projeto para São Paulo.
Além deles, a juíza Tatiane Moreira Lima, do Setor de Atendimento de Crimes da Violência contra o Infante, Idoso, Pessoa com Deficiência e Vítima de Tráfico Interno de Pessoa (SANCTVS), a modelo Jessica Aronis e a ex-modelo Luiza Brunet também estiveram presentes no evento, que ajudou os cerca de 30 profissionais do salão de beleza a identificar sinais de violência doméstica. "Se a cliente sempre foi uma pessoa feliz e, de uma hora para outra, começa a apresentar um comportamento depressivo, fica mais triste, retraída, muda as cores do esmalte, o corte do cabelo e etc, tudo isso pode indício de uma situação de violência doméstica", explicou a promotora. Todos foram unânimes ao afirmar que o mais importante, detectada a violência, é não julgar a vítima, pois isso dificulta o entendimento da situação e acaba retardando o processo.
Identificada a questão, diz o juiz Mario Rubens Filho, o passo seguinte é fazer a denúncia. A vítima pode procurar uma Delegacia da Mulher, ir ao Ministério Público ou ao Núcleo de Promoção e Defesa dos Direitos das Mulheres (Nudem), pertencente à Defensoria Pública e que recebe requerimentos de medidas protetivas. "Fora isso, temos também projetos de assistência à vítima, como o ‘Projeto Fênix’, um programa do TJSP em que as vítimas de violência que sofreram algum dano estético podem fazer cirurgia de reparação sem custos”, informou o magistrado. Ele citou ainda o projeto “Apolônias do Bem”, programa de tratamento dentário para as vítimas de violência doméstica, e o projeto “Tem Saída”, que as ajuda a encontrar um emprego de maneira mais rápida que o usual. “Temos, também, projetos que olham para os agressores, como o ‘Tempo de Despertar’, ‘Cá Entre Nós’, ‘E Agora José’, todos trabalhando na conscientização e sensibilização desse homem, pois isso diminui a reincidência de agressão. Antes dos programas, a taxa era de mais de 70% e com esse trabalho caiu para 2%", pontuou.
Para a juíza Tatiane Moreira Lima, o mais interessante do projeto “é permitir que as profissionais da rede levem o conhecimento tanto para dentro da casa delas, quanto para o salão de beleza e para a comunidade em que elas estão inseridas, pois 1 em cada 3 mulheres sofre violência doméstica, e as profissionais capacitadas poderão agir como agentes multiplicadores, podendo identificar e orientar as vítimas”.
Comunicação Social TJSP – AA (texto) / RL (fotos) imprensatj@tjsp.jus.br