Semana Justiça pela Paz em Casa realiza debate sobre igualdade de gênero em escola de SP

Alunos falaram sobre machismo, homofobia e violência familiar.

 

        Na manhã desta terça-feira (21), o Tribunal de Justiça, por meio da Coordenadoria Estadual da Mulher em Situação de Violência Doméstica e Familiar do Poder Judiciário do Estado de São Paulo (Comesp), promoveu o evento Cine-Debate na Escola Estadual Colombo de Almeida (zona norte da Capital) para exibição do documentário nacional “Precisamos falar com os homens? – Uma jornada pela igualdade de gênero” a alunos do 3º ano do ensino médio. O Cine-Debate integra a programação da 11ª Semana Justiça pela Paz em Casa, que tem o objetivo de coordenar ações que priorizem o julgamento de processos relacionados à violência doméstica e também, através de diversas atividades, discutir temas centrais e periféricos sobre o assunto.

        O filme, que retrata homens e mulheres vítimas de machismo, homofobia e racismo, entre outros, desencadeou relatos particulares dos alunos, que contaram situações de preconceitos, abusos e violência sofridas por eles. Um adolescente de 16 anos falou das vezes em que foi alvo de bullying por sua opção sexual e do assédio que suas amigas enfrentam em lugares públicos. “Às vezes, precisamos andar de mãos dadas, como se fôssemos namorados, para evitar situações desagradáveis.” Para outra aluna, de 17 anos de idade, a dificuldade em agir com respeito diante das mulheres é tão grande que o insulto, em suas diferentes formas, passa a ser visto como natural. “O que a gente faz atinge o outro, falta compreensão e empatia”, concluiu.

        A juíza da 2ª Vara Criminal de Santo André, Teresa Cristina Cabral Santana, aproveitou o debate para falar da repressão contra o feminismo. “Por isso vemos falta de respeito não só diante de mulheres, mas também de homossexuais e travestis. A partir daí, a pessoa passa a não ter coragem de ser quem ela é depois de uma vida escutando piadas e sendo preparada para se enquadrar em padrões sociais. A gente sabe de todos os problemas que acontecem ao nosso redor, mas é preciso um esforço quatro vezes maior para conseguir, de fato, a mudança. Não basta, por exemplo, ser antirracista. É preciso que tenhamos uma postura ativa no sentido de proporcionar o respeito ao outro”, pontuou.

        O encontro também contou a presença do psicólogo e sociólogo Flávio Urra, que discorreu sobre essas relações interpessoais e as cautelas que todos devem ter com comentários e piadas. “Precisamos tomar cuidado com o preconceito impregnado nas brincadeiras, porque muitas vezes reforçamos a figura do oprimido nesses momentos.” Na mesma linha, o professor de sociologia Bruno Lima falou da importância de cada um ser o que é. “Ninguém pode dizer como você tem que ser ou agir. A intolerância não está só no documentário, está aqui dentro desta escola, dentro desta sala de aula”, disse.

        Ao final do evento, a juíza Teresa Cristina falou de suas impressões sobre o bate-papo com os estudantes. “Percebemos uma discussão muito fértil, em que diversas vezes os alunos foram abordando, por conta própria, vários pontos interessantes. É uma geração altamente antenada, estão de parabéns.”

        O programa Cine-Debate é resultado do Termo de Acordo de Cooperação Técnica nº 87/17, celebrado entre o Tribunal de Justiça de São Paulo e a Secretaria Estadual de Educação, cujo objetivo é levar a escolas estaduais indicadas pela Secretaria de Educação temas relevantes sobre violência contra a mulher e violência de gênero.

 

        Comunicação Social TJSP – SB (texto) / KS (fotos)

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